14 de setembro de 2019

MINI ESTÁGIO

Hoje foi o meu último dia de estágio. Foram duas semanas cansativas. Apesar de só passar a manhã no hospital, tinha de estar lá todos os dias às 8h30 e acordar cedo custa, principalmente quando ainda estamos de férias. Foi um estágio de observação, voluntário e que não faz parte do plano de estudos da universidade. Não posso dizer que tenha aprendido muito, porque ainda estou numa fase inicial da minha formação e quase todos os doentes que vi apresentavam patologias além da minha compreensão. Apesar disso, gostei muito. Estive em contacto com pessoas e pude praticar alguns gestos simples, como a auscultação. Acima de tudo, tive a oportunidade de observar bons profissionais a trabalhar. Neste mundo cheio de teorias, do que devemos fazer, do que devemos dizer e de como devemos agir, é importante ver bons exemplos. Passar do papel para a prática. Sinto que, depois destas duas semanas, estou menos perdida. Sei o que quero ser e aquilo em que não me quero tornar. E, por tudo isto, gostei.

No entanto, houve um acontecimento cujo impacto foi ainda maior. A meio desta semana, conheci um rapaz que estava internado. É praticamente da minha idade, mas, ao contrário de mim, o destino foi duro com ele. Estava tão debilitado, imóvel do lado esquerdo, mas cheio de vida ao mesmo tempo. Quando me aproximei dele, sorriu-me. Foi um sorriso genuíno, daqueles que chega aos olhos. Apesar de não conseguir falar, ria-se muito. Parecia quase feliz. Eu, por outro lado, senti-me tão impotente, sem poder fazer nada por ele. É tão novo. Ainda tem tanto por viver. Ninguém pode saber se vai recuperar completamente, só o tempo o dirá. Eu espero que sim. Espero mesmo que sim. Apesar de tudo o que lhe aconteceu, ainda tem força para sorrir. Acho que nunca me vou esquecer desta imagem. Para mim, este foi o momento mais especial destas duas semanas, porque me deu a certeza de que estou exatamente onde devia estar. Porque quero poder ajudar.


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